12 de junho de 2007

Pedreiro



Tá vendo aquele colégio moço?

Eu também trabalhei lá.

Lá eu quase me arrebento,

Pus a massa, fiz cimento,

Ajudei a rebocar.

Minha filha inocente,

Vem pra mim toda contente.

- “Pai vou me matricular.

Mas me diz um cidadão,

Criança de pé no chão,

Aqui não pode estudar

Esta dor doeu mais forte

Por que que eu deixei o norte?

Eu me pus a me dizer

Lá a seca castigava,

mas o pouco que eu plantava,

Tinha direito a comer
Tá vendo aquela igreja moço,

Onde o padre diz amém?

Pus o sino e o badalo,

Enchi minha mão de calo,

Lá eu trabalhei também.

Lá sim valeu a pena,

Tem quermesse, tem novena,

E o padre me deixa entrar.

Foi lá que cristo me disse-

“Rapaz deixe de tolice

Não se deixe amedrontar.

Fui eu quem criou a terra,

Enchi o rio fiz a serra,

Não deixei nada faltar.

Hoje, o homem criou asas,

E na maioria das casas,

Eu também não posso entrar

Lúcio Barbosa – Cidadão

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