Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá.
Lá eu quase me arrebento,
Pus a massa, fiz cimento,
Ajudei a rebocar.
Minha filha inocente,
Vem pra mim toda contente.
- “Pai vou me matricular.
Mas me diz um cidadão,
Criança de pé no chão,
Aqui não pode estudar
Esta dor doeu mais forte
Por que que eu deixei o norte?
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava,
mas o pouco que eu plantava,
Tinha direito a comer
Tá vendo aquela igreja moço,
Tá vendo aquela igreja moço,
Onde o padre diz amém?
Pus o sino e o badalo,
Enchi minha mão de calo,
Lá eu trabalhei também.
Lá sim valeu a pena,
Tem quermesse, tem novena,
E o padre me deixa entrar.
Foi lá que cristo me disse-
“Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar.
Fui eu quem criou a terra,
Enchi o rio fiz a serra,
Não deixei nada faltar.
Hoje, o homem criou asas,
E na maioria das casas,
Eu também não posso entrar

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